quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE PROCESSO PARA APURAR RESPONSABILIDADE CIVIL DE MILITARES NO PERIODO DE 1964 A 1985


MP abre processo contra torturadores da ditadura

Foto: Ilustrativa - Sidneyrezende.com
São Paulo 4 nov (EFE).- O Ministério Público Federal de São Paulo abriu nesta quarta-feira um processo para apurar a suposta responsabilidade civil de quatro militares aposentados por seis assassinatos e tortura de 20 pessoas, entre elas a presidente eleita, Dilma Rousseff.

Foram acusados os militares Homero Cesar Machado, Inocêncio Fabrício de Mattos Beltrão e Maurício Lopes Lima, das Forças Armadas, e João Thomaz, ex-capitão da Polícia Militar de São Paulo, detalhou a Procuradoria em comunicado.

Os quatro acusados poderiam perder suas pensões de aposentadoria e ser condenados a pagar indenizações à sociedade, além de contribuir o Estado para o pagamento às vítimas da ditadura (1964-1985).

O processo investiga os crimes supostamente cometidos pelos quatro militares na Operação Bandeirante, dirigida pelo comando do segundo Exército entre 1969 e 1970, no auge da repressão contra opositores políticos ao regime.

O Ministério Público acredita que os acusados são responsáveis por seis assassinatos no marco dessa operação, entre eles o do dissidente Virgílio Gomes da Silva, considerado líder do grupo armado que seqüestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.

Entre as vítimas de tortura citadas no processo se encontra Dilma Rousseff, que foi detida por mais de dois anos por sua participação em grupos armados de resistência à ditadura.

Dilma integrou as organizações clandestinas Política Operárias (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina) e Vanguardia Armada Revolucionaria Palmares (VAR-Palmares).

O CADERNO BOA VIAGEM DO JORNAL "O GLOBO" RECOMENDA GALINHOS, SÃO MIGUEL DO GOSTOSO E O SERIDÓ NO RN

Galinhos, São Miguel do Gostoso e o Seridó são destaques em caderno do jornal O Globo

Leitores e assinantes do jornal O Globo podem ver na edição desta quinta-feira (4) um Rio Grande do Norte, até então, desconhecido para muitos. O caderno Boa Viagem da publicação estampa uma reportagem especial e belíssimas fotos sobre o Estado. Além das paisagens seridoenses, o repórter Bruno Agostini destacou as praias de Galinhos e Gostoso. A matéria ainda é resquício da press trip (viagem para jornalistas) voltada para o ecoturismo, trazida pela Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), em agosto. A iniciativa teve ainda a parceria da GOL Linhas Aéreas, Sebrae e o trade potiguar.

Vale salientar que o Turismo de Aventura/Ecoturismo é um dos segmentos mais explorados pelas duas últimas gestões da Emprotur. Além das viagens para jornalitas, o Rio Grande do Norte sediou campeonatos de surf e kitesurf e provas de rallys, com destaque para o Rally dos Sertões, que passou pelas terras de Cascudo no ano passado.

"Existe uma forte demanda mundial por diversos segmentos do turismo, e o Ecoturismo/Aventura é um deles. O Rio Grande do Norte oferece grandes produtos e devemos continuar a apresentá-los ao publico final, como acontece agora como resultado dessa press trip", avaliou o economista e presidente da Emprotur, Gustavo Porpino.
F: Ag.E

A CHINA DEMONSTRA INTERESSE DE PARCERIA ECONÔMICA COM O RN


Embaixador da China mostra interesse de seu país em ser parceiro econômico do RN

Qiu Xiaoqi foi recebido pelo secretário
Francisco de Paula Segundo - Foto: Demis Roussos

O Embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, visitou a sede do Governo do Rio Grande do Norte - Governadoria - na tarde desta quinta-feira, 4. Qiu Xiaoqi foi recebido na Governadoria pelo secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Francisco de Paula Segundo, que representou, na oportunidade, o governador Iberê Ferreira de Souza.

Em sua primeira visita ao Estado, Qiu Xiaoqi disse estar vindo conhecer o Rio Grande do Norte em busca de vias de cooperação e de parcerias para o desenvolvimento. “Estou conhecendo este Estado que vive em pleno crescimento econômico e buscando oportunidades de investimentos. A China, desde o ano passado, é o primeiro parceiro comercial do Brasil no mercado internacional. Nosso interesse é aprofundar nossas relações com o Brasil e ter no Rio Grande do Norte um parceiro”, afirmou o embaixador da China, Qiu Xiaoqi.

O Secretário Francisco de Paula Segundo, a visita do embaixador da China no Brasil é de grande importância no campo das perspectivas de parcerias para o desenvolvimento. “O Estado está aberto às parcerias que visem o desenvolvimento e a geração de empregos, principalmente nas áreas do turismo e da produção de energia renovável”, ressaltou Segundo de Paula.

A visita do embaixador Qiu Xiaoqui prossegue na tarde desta quinta com visita à Fortaleza dos Reis Magos (16h); passeio nas praias de Pirangi e Ponta Negra (17h); e jantar oferecido pelo Governo do Estado (20h). Na sexta-feira (05), o embaixador participa da abertura da Exposição de Fotografias Chinesas da UFRN (10H), e embarca para João Pessoa no início da tarde.

PALESTRA SOBRE OS RISCOS DA "KPC" DESPERTA INTERESSE DOS PROFISSIONAIS DE SAUDE DO HOSPITAL WALFREDO GURGEL


Secretaria de Saúde promove palestra sobre os riscos da KPC

O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, da Secretaria Estadual de Saúde, promove nesta sexta-feira, 5, a partir das 10h, uma palestra sobre os riscos da Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) para os funcionários do hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Na palestra, serão abordados os temas: mecanismo emergente de resistência bacteriana da KPC e medidas de prevenção e controle de bactérias resistentes aos antimicrobianos". Os assuntos serão expostos pela microbiologista do Laboratório Central (Lacen) e pela infectologista, Rosângela Morais.

De acordo com Rosângela, o fenômeno da resistência bacteriana aos antimicrobianos disponíveis, especialmente nos últimos 20 anos, tomou a dimensão atual de um problema de saúde pública mundial. "Estes microorganismos estão diretamente relacionados a qualquer local com atividade de assistência à saúde e somente com uma política de prevenção e controle de germe multidroga resistente, poderemos minimizar essa problemática".

Resistência aos antibióticos atualmente conhecidos não é novidade. São diversos os mecanismos utilizados pelas bactérias para garantir a sua sobrevivência diante dos medicamentos específicos para sua eliminação e cura de muitas doenças infecciosas. A enzima KPC foi descrita pela primeira vez em 2001, nos Estados Unidos, em espécies de Klebsiella, entretanto, outras bactérias também já foram identificadas como produtoras da KPC.

Prevenir, segundo a infectologista, ainda é o melhor remédio. Todos os estabelecimentos de saúde, explica ela, devem adotar políticas de prevenção e controle para microorganismos multirresistentes, como são nominados por se mostrarem resistentes a diferentes classes de antibióticos.
Por Agência RN

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

BOLETIM DE NOTÍCIAS DO GOVERNO DO RN


Boletim de Notícias - Governo do RN
Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010 - 16:05:51

PROVITA
Governo do Estado lança nesta sexta-feira (5) o Programa de Proteção a Testemunhas

O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania, (Sejuc), vai implementar, no Rio Grande do Norte, o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), que faz parte da rede de assistência a testemunhas de crimes. O lançamento do programa no Estado será marcado pela realização de um seminário, que acontece nesta sexta-feira (5), às 9 horas, na Assembleia Legislativa do RN.

COPA 2014
Governo abre propostas dos cinco consórcios interessados na PPP do Estádio das Dunas

A comissão do Governo do Estado responsável pela licitação da Parceria Público-Provada para construção e manutenção do Estádio das Dunas (novo Machadão) abre, nesta quinta-feira, 4, às 9h, na Secretaria de Turismo do Estado (Setur), as propostas dos cinco consórcios interessados na PPP. Um total de 27 empresas comprou o edital da PPP. Em 45 dias, no máximo, Natal deve conhecer o consórcio vencedor, que iniciará as obras imediatamente.

EDUCAÇÃO
Governo do Estado beneficia alunos da rede pública com aulões gratuitos preparatórios para vestibulares e Enem

Os aulões gratuitos promovidos pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seec), estão atraindo centenas de vestibulandos nas cidades de Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Caicó e Nova Cruz. O "intensivão", como está sendo chamado pelos alunos, é um projeto desenvolvido em oito finais de semana que tem como objetivo preparar alunos de escolas públicas para vestibulares e também para o Enem.

SEGURANÇA
Polícia Militar do RN contribui para diminuição de crimes nas fronteiras do país

A Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte vem tendo uma atuação destacada nas ações que envolvem a elite da Segurança Pública Nacional. Em agosto deste ano, a Polícia Militar do RN enviou 21 militares, sendo um tenente, dois sargentos, dois cabos e 16 soldados, para atuarem nas fronteiras do país a fim de coibir o tráfico de drogas e armas, entre outros crimes.

ATUALIZAÇÃO
Cadastro comercial da Caern chega a Nova Cruz e Santo Antônio

A partir desta quinta-feira (4), a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) estará realizando coleta de informações dos usuários das cidades de Nova Cruz e Santo Antônio. O objetivo é atualizar o cadastro comercial da Companhia e garantir a emissão correta das contas de água. A atualização permite que o usuário tenha os dados corretos no A partir desta quinta-feira (4), a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte.

Fonte: AssCom GovRn

ELEIÇÃO 2010 - PSDB ELEGEU MAIOR NÚMERO DE GOVERNADORES


Governadores eleitos para o período 2011 a 2014

Acre: Tião Viana (PT) - ( PT 1 )
Alagoas: Teotônio Vilela (PSDB) - ( PSDB 1 )
Amapá: Camilo Capiberibe (PSB - ( PSB 1 )
Amazonas: Omar Aziz (PMN) - ( PMN 1) (*)
Bahia: Jaques Wagner (PT) - ( PT 2 )
Ceará: Cid Gomes (PSB) - ( PSB 2 )
Distrito Federal: Agnelo Queiroz (PT) - ( PT 3 )
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) - ( PSB 3 )
Goiás: Marconi Ferreira Perillo (PSDB) - ( PSDB 2 )
Maranhão: Roseana Sarney (PMDB) - ( PMDB 1 )
Mato Grosso: Silval Barbosa (PMDB) - ( PMDB 2 )
Mato Grosso do Sul: André Puccinelli (PMDB).( PMDB 3 )
Minas Gerais: Antônio Anastasia (PSDB) - ( PSDB 3 )
Pará: Simão Jatene (PSDB) - ( PSDB 4 )
Paraíba: Ricardo Coutinho (PSB) - ( PSB 4 )
Paraná: Beto Richa (PSDB) - ( PSDB 5 )
Pernambuco: Eduardo Campos (PSB) - ( PSB 5 )
Piauí: Wilson Martins (PSB) - (PSB 6 ) (*)
Rio de Janeiro: Sérgio Cabral Filho (PMDB) - ( PMDB 4 )
Rio Grande do Norte: Rosalba Ciarlini (DEM) - ( DEM 1 )
Rio Grande do Sul: Tarso Genro (PT) - ( PT 4 )
Rondônia: Confucio Moura (PMDB) - ( PMDB 5 ) (*)
Roraima: José de Anchieta Júnior (PSDB) - ( PSDB 6 )
Santa Catarina: Raimundo Colombo (DEM) - ( DEM 2 ) (*)
São Paulo: Geraldo Alckmin (PSDB) - ( PSDB 7 )
Sergipe: Marcelo Déda (PT) - ( PT 5 ) (*)
Tocantins: Siqueira Campos (PSDB) - ( PSDB 8) (*)

(*)
PSDB    8   governadores a partir de 2011
PSB      6   governadores a partir de 2011
PMDB   5    governadores a partir de 2011
PT       5   governadores a partir de 2011
DEM    2    governadores a partir de 2011
PMN    1    governadores a partir de 2011

ELEIÇÃO 2010 - ANÁLISES DE EDITORIAIS DO MUNDO FINANCEIRO E POLÍTICO


Decepção com a presidente será "inevitável", segundo “Guardian”

Já o 'Financial Times' prevê que “o Brasil sem o presidente Lula pode se tornar mais turbulento”

Os próximos quatro anos "serão mais difíceis" para a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), do que foram para Luiz Inácio Lula da Silva. E depois dos oito anos de Lula, ela terá "uma lua de mel mais curta" e "inevitavelmente decepcionará". As duas opiniões foram dadas em editorial, ontem, por dois respeitados jornais ingleses, The Financial Times e The Guardian.

Este último diz que a decepção é inescapável porque "após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no País". Ao contrário dele, Dilma é "uma tecnocrata de estilo rápido e direto" que assumirá o poder "em circunstâncias diferentes e com habilidades diferentes". Para o Guardian, os assuntos administrativos não devem lhe criar problemas, "mas os políticos poderão". É que "a bajulação e a sedução não são o que ela faz melhor, embora ela chegue ao poder com maioria nas duas casas do Congresso".

O jornal adverte para uma armadilha: o boom econômico pode trazer problemas, com a ameaça de desindustrialização, se o País continuar sendo apenas exportador de commodities e não investir em produção mais sofisticada. "Os recursos da exportação vêm de produtos primários como minério de ferro, petróleo, soja e algodão". Mas exportar carros, sapatos ou têxteis "são um caso diferente". Para eles terá de "lidar com desafios mais intratáveis - como salários, aposentadorias, sistema tributário e dívida pública, assuntos pelos quais Lula não se interessou".

"Menos popular". No seu editorial, o Financial Times prevê que, sem Lula, "o Brasil pode se tornar mais turbulento e menos popular". Diz ainda que "a capacidade de Lula de praguejar contra alguma coisa de manhã e elogiá-la de tarde" o ajudava a superar muitos problemas, como a corrupção. Mas Dilma terá dificuldades em manter sua coalizão partidária, "a não ser que Lula mexa os pauzinhos nos bastidores".

ELEIÇÃO 2010 E SEUS NÚMEROS SIGNIFICATIVOS: ABSTENÇÕES 29.197.152 ( 21,5 %) - VOTOS NULOS 4.689.428 (4,4 %) - VOTOS BRANCOS 2.452.597 (2,3%) - VOTOS VÁLIDOS 99.463,917 (93,3 %) DO TOTAL 135.804.433 DE ELEITORES - UM MONTANTE DE MAIS DE 35 MILHÕES DESMOTIVADOS PELA SUA REPRESENTATIVIDADE


Além do voto cabresto permanecem os indecisos preferindo a opção pelas pesquisas

Os números estão aí na Net, disponíveis sobre a eleição do 2° turno, Dilma ganharia sem os votos do Norte e do Nordeste. Verifique o resultado, Dilma obteve 22.443.748 e Serra 10.665.932.

Subtraindo-se esses 33 milhões de votos do Norte e Nordeste e somando apenas os votos do Sul – Sudeste + Centro-Oeste: Dilma obteria 33.247.650 e Serra 32.972.526. Portanto, Dilma ganharia com diferença mínima. Resultado esse influenciado pelo contingente de eleitores, ainda inconscientes que decidem de última hora pelos indicadores das pesquisas, uma realidade nua e crua, valorizada a preço alto pelos políticos capitalizados.

Outro fator determinante foram as 11 milhões de famílias em todo o Brasil que são atendidas pelo Bolsa Família. E quem são os beneficiários do Bolsa Família?

A população alvo do programa são famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. As famílias extremamente pobres são aquelas classificadas com renda per capita de até R$ 70,00 por mês. As pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 70,01 a R$ 140,00 por mês, e que sejam constituídas gestantes, crianças ou adolescentes entre zero e 17 anos.

Esse programa assistencialista, tempos atrás, condenado pelo próprio Lula que chamou de “troca de favores” foi decisivo para que Dilma ganhasse. Nem Lula teria tanta popularidade sem esse programa cópia de governos anteriores.

O voto de cabresto diminuiu vertiginosamente, ainda existe, camuflado pelas prestações de serviço da máquina governista, pelas ações de profissionais de saúde e outros segmentos, de maneira aristocrata, polidos, labiosos, subservientes e decadentes. Foi assim e ainda será por muitos anos o que marcou as eleições de 2010 no Brasil.

Os principais jornais do mundo analisaram e comentaram a eleição 2010 no Brasil. O Jornal britânico The Guardian foi incisivo e posicionado: “Os eleitores brasileiros optaram pela continuidade do "lulismo" através de Dilma Rousseff, mas a decepção com a próxima presidente será inevitável”.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

OS PRIMEIROS NOMES COTADOS NOS BASTIDORES DO PLANALTO



F: RRH

LAJES NO RN FOI A PRIMEIRA CIDADE NA AMÉRICA LATINA QUE ABRIU ESPAÇO FEMININO NO EXECUTIVO


82 anos antes de Dilma, Alzira Soriano abriu espaço feminino no Executivo

Em 1928, Alzira foi eleita prefeita no RN, a primeira da América Latina.
Confira histórico das primeiras mulheres no comando da política nacional.

Alzira Soriano, a primeira mulher eleita para um
cargo executivo no país - Prefeita de Lajes/RN em 1928
(Foto: Arquivo Pessoal)

Mais de 80 anos antes de Dilma Rousseff ser eleita a primeira mulher presidente do Brasil, Alzira Soriano foi a primeira escolhida pelo povo para um cargo executivo no país – quando mulheres nem sequer tinham o direito de votar. Em 1928, Alzira, viúva e mãe de três filhas, conquistou 60% dos votos e em 1º de janeiro do ano seguinte foi empossada prefeita de Lajes, no Rio de Grande do Norte. Foi a primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade, segundo notícia publicada na época pelo jornal americano “The New York Times”.

A distância no tempo não é apenas grande entre Alzira e Dilma, mas entre ela e todas as outras mulheres que assumiram cargos executivos no país. A primeira prefeita de uma capital, Maria Luiza Fontenele, de Fortaleza, tomou posse 57 anos depois de Alzira, em 1986. A primeira governadora, Iolanda Fleming, do Acre, em maio do mesmo ano. A primeira prefeita da maior cidade do país, Luiza Erundina, em 1989.
Além de uma bisneta de Alzira, Maria Luiza Fontenele, Iolanda Fleming, Luiza Erundina e duas cientistas políticas conversaram com o G1 e deram suas avaliações sobre o papel das mulheres brasileiras no Executivo.

“Alzira foi uma mulher à frente de seu tempo, que empurrou a história do país para frente”, diz Erundina, que atualmente é deputada federal. “Toda a evolução da participação da mulher na política brasileira nasce com a ousadia dela”, afirma.

A bisneta da primeira prefeita, a médica Lana Patrícia, de 40 anos, não chegou a conhecê-la pessoalmente, mas sabe bem as histórias sobre a personalidade da primeira prefeita. “Ela não levava desaforo para casa. Era uma mulher muito rígida, muito séria, que comandava com respeito”, conta.

“Depois de prefeita, ela ainda foi eleita vereadora. Não era o comum da época, mas ela não se importava com nada disso”, diz Lana. A família guarda as históricas fotos de Alzira Soriano. Em uma delas, a prefeita
aparece em meio ao seu gabinete formado exclusivamente de homens.
 Alzira Soriano em seu gabinete no governo de Lajes (Foto: Arquivo Pessoal)

Alzira ficou apenas um ano no cargo, pelo então Partido Republicano. Em 1930, descontente com a eleição de Getúlio Vargas, ela deixou a função. Apenas dois anos depois disso, em 1932, mulheres conquistariam o direito de votar.

“O voto feminino no Brasil foi conseguido muito tardiamente”, avalia a cientista política Jussara Prá, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Mesmo depois dessa conquista, a restrição ao voto dos analfabetos limitou muito o voto das mulheres – que, em sua maioria, não estudavam. A participação das mulheres cresceu depois dos anos 70”, explica.


Nota no jornal americano 'New York Times'
sobre a eleição de Alzira Soriano
(Foto: Repriodução/NYT



E mesmo após os anos 1970, segundo ela, o voto da mulher era marcado pelo conservadorismo e pela resistência a apostar em algo novo. “Ainda hoje há essa cultura de que mulher não vota em mulher e que política é assunto de homem. Temos muitos casos de representantes ligadas a características masculinas – com o traço da cultura política, que é masculina”, afirma Jussara Prá.

Para Maria Luiza Fontenele, primeira prefeita de uma capital, pelo PT, a experiência rendeu apenas desilusão. Oriunda do movimento estudantil e de organizações feministas, ela conta que mudou sua visão da política após a passagem pela prefeitura de Fortaleza, marcada por intensas greves e protestos violentos.

“Descobri que não adiantava apenas ser honesta e querer o melhor para o povo, porque a lógica do sistema é contrária a isso”, afirma. “A experiência da prefeitura me ajudou a perceber que as coisas não mudavam não porque nós, mulheres, não tínhamos poder. Não era questão de ter poder”, afirma.

Arte / G1
Maria Luiza deixou a política e hoje participa de um grupo chamado “Crítica Radical”, que prega “uma nova força de organização das relações humanas.” Para ela, a eleição de Dilma Rousseff tem “pouco impacto.” “Achar que uma mulher no Brasil, como um negro nos Estados Unidos, vá mudar alguma coisa é ingenuidade,” diz.


Para a primeira mulher a tomar posse de um governo estadual, no entanto, a avaliação é diferente. Iolanda Fleming, do PTB, foi eleita vice-governadora do Acre em 1983. Quando o governador Nabor Júnior deixou o cargo em 1986 para disputar o Senado, ela se tornou a primeira mulher a governar um estado brasileiro – mais tarde, em 1995, Roseana Sarney, do Maranhão, se tornou a primeira governadora eleita do país.
“Enfrentei dificuldades e, não vou mentir, preconceito”, conta. “Mas tive o apoio bem próximo do movimento feminista e conseguimos superar o atraso na mentalidade de alguns para fazer um bom governo”, afirma.

A ex-prefeita Luiza Erundina também revela preconceito – um “preconceito triplo”. “Somam-se em mim várias características: eu sou mulher, nordestina e de esquerda”, conta. “Tudo isso dificultava as pessoas a enxergarem o momento histórico que era ter uma mulher na prefeitura de São Paulo”, conta a deputada reeleita em 2010, agora no PSB.

Erundina afirma que sofreu com o machismo até mesmo dentro de seu então partido, o PT. “Os dirigentes do partido não esperavam que eu vencesse a prévia. Depois, que eu vencesse a eleição. Foi um momento complicado”, afirma.

Para ela, o PT e a sociedade brasileira evoluíram muito até a eleição de Dilma Rousseff. “Vão aí 20 anos e 20 anos de muitas mudanças. Mas ainda assim é um processo lento. Se você vir a eleição da Alzira até hoje, são 82 anos”, conta.

A cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), concorda. “O Brasil demorou muito para levar uma mulher à presidência. Argentina, Chile, Nicarágua fizeram isso antes. Nesses 80 anos, o país se modernizou em muitas áreas, mas essa questão demorou.”

Dilma Rousseff, a primeira presidente do Brasil
(Foto: Roberto Stuckert Filho)

Erundina comemorou a eleição de Dilma. “É uma mulher presidente e não é qualquer mulher. É uma mulher que tem o histórico, a competência e a responsabilidade de Dilma Rousseff. É um momento muito importante para a história do Brasil e a para a história das mulheres do Brasil”, diz ela.
“É para celebrar. No entanto, não podemos ter a ilusão de que, por isso, as mulheres conquistaram a igualdade. As mulheres ainda são menos de 9% da Câmara dos Deputados e a nossa representação caiu. Na Argentina, as mulheres são 40% da Câmara”, afirma.
Jussara Prá faz a mesma avaliação. “No Brasil, ainda há uma sub-representação da mulher nos cargos políticos”, afirma. “Em países nórdicos, por exemplo, há uma equiparação de homens e mulheres nos órgãos representativos. A Argentina, aqui do lado, é mais avançada com relação a isso. O Brasil é dos mais atrasados”, diz.

Maria do Socorro Braga diz que o governo Dilma será “muito simbólico”. “Por tudo isso, Dilma tem a responsabilidade de mostrar que é capaz. Aos homens, que pode governar como eles e às mulheres de que outras também podem. Será um exemplo para as próximas que virão”, afirma.
Fonte: Marília Juste e Mirella Nascimento Do G1, em São Paulo