quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A FELICIDADE


                                              Histórias contadas na mesa de um bar
CRÔNICA
Há quem diga que uma das coisas com que podemos contar em uma criança é a verdade. Mas, como fui uma criança muito “diferenciada” — onde também se pode ser “arteira” — não sou um dos que acreditam piamente na palavra dos pequenos. Prefiro destacar outras duas características que considero mais notáveis e que também servem como objeto de admiração: a inocência e a facilidade em ser feliz com pouco.

Já passava das dez da noite, ambos os irmãos dividindo um beliche. Como sempre o mais velho ocupara a parte de cima, sinal claro de superioridade, e o mais novo largado na cama de baixo. Para quem nunca teve esse desprazer, ficar na parte inferior de um beliche, na meritocracia informal de um quarto que irmãos dividem, é o equivalente a dormir no porão de um navio, tudo de ruim acontece com quem está lá.

Com o maior ar de sabedoria do mundo, coisa que só os poucos anos de vida são capazes de provir, Felipe encheu o peito e, cheio de confiança, disse uma frase em alto e bom som que acabou com o silêncio que havia no quarto:
— Grandes poderes, grandes responsabilidades!
Imediatamente, Marcelo, que era cerca de dois anos mais novo do que Felipe, imaginou que era algum tipo de ataque de sonambulismo ou uma nova forma de ser perturbado pelo mais velho e não deu bola, fez de conta que estava dormindo.

Diante da falta de resposta Felipe resolveu insistir. Debruçou-se na cama, colocou a cabeça para baixo de forma a enxergar o irmão e voltou a atormentá-lo com a misteriosa frase.
Vendo que não iria ter paz, Marcelo viu-se obrigado a interagir. Sempre achou o irmão mais velho inconveniente, carente de atenção em excesso e extremamente dependente dos pais.
Ao contrário do irmão, Marcelo era um garoto precoce em tudo, chegou até mesmo a abandonar as fraldas antes do mais velho. Até hoje, com certa razão, se gaba disso. Não fosse pela vergonha que o caçula deu ao Felipe, de certo ele ainda estaria a andar de fraldas!

Em alguns momentos da sua vida chegou a achar que algum tipo de adoção tinha acontecido. Em sua fértil imaginação, um ou outro tinha que ter vindo de outro lugar. Não era possível que duas crianças com os mesmos pais e criação pudessem ser tão diferentes quanto a maturidade e aos hábitos.
— Do que é que você está falando, Felipe? Que negócio é esse de responsabilidades e poderes?
— Ué? Ficou doido? Amanhã é o seu primeiro dia de aula na primeira série e eu, como seu irmão mais velho, tenho a responsabilidade de preparar você para o que virá!
Marcelo quis rir, mas se conteve. Era graças ao medo do escuro que Felipe tinha que a luz dos abajures tinham que permanecer acesas e agora ele vinha com essa de prepará-lo. Parecia piada!
Como queria saber até onde Felipe iria com aquela conversa, deu um longo suspiro e instigou-o um pouco mais.
— Como é que é? Você vai me preparar?
— Lógico! É para isso que irmãos mais velhos servem, para ajudar e proteger os mais novos… É o meu dever familiar.
— Tá bom! Mas primeiro me explica de onde tirou essa história…
— Ah, Marcelo, não acredito! Vai me dizer que não sabe de quem é essa frase?
— Não faço ideia! Do papai ou da mamãe é que não é…
— É do Homem-Aranha! Todo mundo sabe disso! — respondeu Felipe quase gritando e antes que o irmão pudesse responder, continuou em tom de deboche — Não acredito que você não sabe quem é o Homem-Aranha!
Naquele instante um sorriso se abriu em Marcelo. Não é que viu alguma graça ou sentido na bobagem que o irmão tinha dito, mas para ele, acreditar que o Homem-Aranha existia era uma prova irrefutável de que não podia haver vínculo entre os dois e só poderia significar uma coisa: o irmão era adotivo! Isso explicaria tudo.
— Felipe, vou lhe dizer uma coisa e espero que preste muita atenção. — fez uma pequena pausa para dar um ar dramático ao momento e continuou — O Homem-Aranha não existe! Isso é desenho em quadrinhos!
— Existe sim! Você é que não conhece!
E nisso ficaram por mais de meia hora, um tentando convencer o outro de que sua crença não tinha fundamento. Isso duraria mais tempo ainda se a conversa não fosse interrompida por outro assunto: a hora de dormir.
— Felipe, já está tarde… Vamos dormir e amanhã a gente termina esse assunto.
— Ah não! Agora que eu já estava quase provando que o Homem-Aranha existe?
— Tá bom! Eu aceito, ele existe! Pronto? Satisfeito? Agora podemos dormir?
— Por que é que você está com tanta pressa?
— Não é que eu esteja com pressa, até gosto de ficar discutindo com você, mas no Natal passado pedi um robô que faz experimentos científicos e ganhei uma bola.
— Mas o que é que uma coisa tem a ver com outra, Marcelo?
— Agora lá vem você com esse papo… Qualquer criança sabe que o Papai Noel só deixa o presente que queremos se nos comportamos e já passou da hora de irmos dormir. Só me falta ganhar outra bola dele por ter ido dormir tarde!
No dia seguinte a conversa não continuou. Acharam melhor por uma pedra no assunto em nome do relacionamento que tinham. Alguns verões depois descobriram que ambos estavam errados, mas até lá foram felizes, cada um com o seu mundo.
F: Marcelo Vitorino

MACAU: EXPECTATIVA COM O CARNAVAL É DE 20 MILHÕES CIRCULANDO NA ECONOMIA LOCAL



Imprensa e convidados especiais lotaram um dos salões do Sal e Brasa
Com o slogan: “Mais que Paixão. É tradição”, o Carnaval de Macau em 2013 promete muita festa, alegria e tranquilidade, marcas que deixam ainda melhor o maior carnaval do Rio Grande do Norte. Para isso, a capital potiguar do sal investe forte para receber bem seus visitantes com uma grande estrutura física e programação diversificada, sem esquecer de preservar a tradição do bom carnaval de rua. O evento foi lançado oficialmente para a imprensa no início da tarde desta quarta-feira (23), no restaurante Sal e Brasa, em Capim Macio, Natal.

O almoço oferecido a imprensa contou com a presença do prefeito Kerginaldo Pinto, do ex-prefeito Flávio Veras, do comandante da Polícia Militar do RN, coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, de secretários municipais e vereadores macauenses, entre outros convidados.
Dutra Assunção ladeado pelo cantor macauese Marrocos, grande intérprete de samba enredo e o casal - produtor cultural Valdemir Nunes e esposa.

“Estamos investindo este ano R$ 4 milhões para a festa. Isso não é custo, mas investimento para cidade, pois a quantidade de visitantes é tanta que passamos de uma população de 30 mil habitantes para 300 mil foliões, que devem injetar mais de R$ 20 milhões na economia local”, disse o prefeito Kerginaldo Pinto.

No carnaval de Macau, são 20 horas por dia de muita festa. E tudo isso feito para o folião, 100% de graça. Os agitos já começam dia 07 de fevereiro com o arrastão pelas ruas da Cohab, animado por dois trios elétricos.

A festa continua na sexta-feira, 08 de fevereiro, com o arrastão dos campeões do campeonato de blocos 2013. Dois trios elétricos fazem a festa dos atletas e da torcida pelas ruas da cidade.

E tem muito mais. 28 bandas fazem a festa de momo acontecer na terra das salinas. No Largo de Eventos Mestre Avelino, uma super estrutura com 40 camarotes, praça de alimentação e banheiros químicos estará pronta para recepcionar foliões e turistas de várias regiões do Estado e do país.

Palcos
Para alegria do público, são montados dois palcos e um grande sistema de som, telões e iluminação profissional. Para que ninguém fique fora da festa que não tem hora para terminar.

A prefeitura de Macau também se preocupa em fazer da folia de momo uma oportunidade para os artistas prata da casa que se apresentam na praia, no mela-mela, na praça da conceição e no largo de eventos.

Quem preferir pode curtir a festa dentro da festa. Em um dos dois camarotes temáticos. O Camarote Jardim Itaipava Fest e o Camarote Vip 
Carnavaldemacau.com.br, contam com serviço de segurança, DJ e muita animação.
Mas a Prefeitura de Macau não esquece a tradição. Na Praça da Conceição o frevo corre solto. Do sábado de Zé Pereira a madrugada da quarta-feira de Cinzas. E quem faz a festa de quem prefere curtir a música pernambucana é a tradicional orquestra de Frevo, formada por músicos da cidade. As tradicionais escolas de samba também marcam presença no carnaval tradição macauense.

Durante o dia, o point do carnaval é a nova orla da Praia de Camapum, com um super palco, e a apresentação de bandas nos quatro dias de folia, fazendo a animação de quem gosta de sol, praia e muita música.

Mas em Macau, não podia faltar o tradicional arrastão do mela-mela. Quatros trios elétricos invadem as ruas da cidade, arrastando multidões no início das tardes de carnaval. O percurso acontece no anel viário que contorna a cidade em mais de seis quilômetros de avenidas e ruas totalmente asfaltadas. Postos médicos, plantões médicos 24 horas no hospital Municipal Antônio Ferraz e três ambulâncias vão atender eventuais emergências.

Além da folia do carnaval, o evento tem grande papel na economia da cidade: milhares de pessoas esperam fevereiro chegar, porque tem na festa uma oportunidade de renda extra a cada ano. Oportunidades que chegam junto com a festa de momo para ambulantes e proprietários de imóveis que alugam suas casas no período. A rede hoteleira, bares, restaurantes, supermercados e ainda o comércio de bebidas e vestuário também desfrutam no carnaval de considerável aquecimento nas vendas.

“O nosso carnaval é diferente porque temos um povo alegre, ordeiro e hospitaleiro. Aqui, a festa de momo acontece em cada lar e a prefeitura faz sua parte, investindo na alegria do folião, melhorando a cada ano a estrutura da festa, sem deixar de lado a tradição de um bom carnaval de rua”, declarou o prefeito Kerginaldo Pinto, que está à frente da festa pela primeira vez.
F: AssCom PMM

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

PRÉ-LANÇAMENTO DA CIA AMAGOA



Pré-Lançamento dia 25 19:30h em Macau
Neste dia 25 de Fevereiro às 19:30h no Teatro PortoDeAma em Macau terá o pré-lançamento da Cia. Amagoa. A Cia. que antes era apenas cia. de teatro já ativa há 13 anos em Macau agora lança novos projetos para musica e dança. "Agora com nosso próprio escritório temos como missão revolucionar a cultura de Macau através da musica, dança e teatro", afirma o Diretor Geral Max Kennedy.

A Cia. Amagoa está realizando este evento de pré-lançamento como forma de arrecadar fundos para aluguel do espaço próprio e na oportunidade também estará realizando inscrições para pessoas interessadas na área. A senha de contribuição do evento custa apenas R$ 5,00 onde contará com apresentações de teatro e dança com muita alegria e humor. Vamos conferir esses artistas macauenses sob a produção cultural de Valdemir Nunes trazendo uma nova opção de lazer. “É também uma oportunidade para todos empresários, mídia, e comunidade em geral conhecer de perto e incentivar o trabalho desses jovens em nossa cidade”, divulga Max Kennedy.

PROGRAMAÇÃO DO CARNAVAL DE MACAU É APRESENTADA À IMPRENSA




Em grande estilo de markting o prefeito de Macau Kerginaldo Pinto(PMDB) recebeu a imprensa, representantes de segmentos culturais, segurança pública e outras instituições para um almoço na Churrascaria Sal e Brasa, onde foi divulgado oficialmente a programação do Carnaval de Macau 2013, já considerado, o mais tradicional e animado do Estado do Rio Grande do Norte.

Na entrada da Churrascaria uma banda de música recepcionava os convidados com músicas temáticas ao graande evento programado


Na ocasião, o prefeito afirmou que vai gastar cerca de 4 milhões com o Carnaval. “Não vejo isso como gasto, mas como um investimento, já que na cidade vai circular uns R$ 30 milhões”, disse o governante da cidade do sal. Citou também que várias Prefeituras do Estado estão cancelando seus Carnavais, atendendo recomendação do Ministério Público, em virtude da seca.  Ma, como Macau é litoral, não sofre com o problema, pelo contrário, neste período temos a maior receita pela produção das salinas. Aproveitando a oportunidade falou também de seus projetos para o município, onde ouvia atentamente o ex-prefeito Flávio Veras.

Churrascaria Sal e Brasa recebe imprensa para lançamento da programação do Carnaval de Macau 2013

Veja a Programação do Carnaval de Macau / 2013

Com o slogan “Mais que paixão é tradição” foi lançada a programação do Carnaval 2013 em Macau, já considerado um dos melhores do rio Grande do Norte.

Sexta | 08 de Fevereiro
Final do 42º Campeonato de Blocos
Arrastão dos Campeões
1º Trio – Phaphirô
2º Trio – Saia Rodada Elétrico

Sábado | 09 de Fevereiro
Sábado | 09 de Fevereiro
Carnaval na Praia de Campamum
11h - Aballogueto
13h - Me acha
...
MELA-MELA1º Trio - Banda Axé Mais
2º Trio - Banda Grafith
3º Trio - Kabaço Molhado

FREVO NO PÉ E NA PRAÇA
21h - Praça da Conceição
Orquestra Harmonia do Frevo

LARGO DE EVENTOS - Palco
22h - Moreninho dos Teclados
00h - Péricles (Ex-Exaltasamba)
02h - Pegação Elétrico

Domingo | 10 de Fevereiro
Carnaval na Praia de Camapum
11h – Mar de Doçura
13h – Luizinho Nobre

MELA-MELA
1º Trio – Kabaço Molhado
2º Trio – Banda Grafith
3º Trio – Lane Cardoso
4º Trio – Bloco Radiola de Ficha

FREVO NO PÉ E NA PRAÇA
21h – Praça da Conceição
Orquestra Harmonia do Frevo

LARGO DE EVENTOS – Palco
22h – Paredão do Brasil
00h – Esse é o Bonde
02h – Solteirões Elétrico

Segunda | 11 de Fevereiro
Carnaval na Praia de Camapum
11h – Banda Me Leva
13h – Desembestados Elétrico

MELA-MELA
1º Trio – Banda Tribala
2º Trio – Banda Grafith
3º Trio – Pawlera do Brasil
4º Trio – Bloco Radiola de Ficha

CORDÃO DA FANTASIA
16 – Marquinhos Show

DESFILE DAS ESCOLA DE SAMBA E
TRIBOS DE INDIOS GUARANIS – 20h
FREVO NO PÉ E NA PRAÇA

21h – Praça da Conceição
Orquestra Harmonia do Frevo

LARGO DE EVENTOS – Palco
22h – Doce Pecado
00h – É o Tchan
02h – Deixe de Brincadeira

Terça | 12 de Fevereiro
Carnaval na Praia de Camapum
11h – Metamorfose
13h – Banda Zunzumbada
MELA-MELA
1º Trio – Banda Montagem
2º Trio – Banda Grafith
3º Trio – Kabaço Molhado Elétrico
4º Trio – Bloco Radiolo de Ficha

DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA – 20h
Azes do Ritmo
Imperadores do Samba
Beija-Flor

FREVO NO PÉ E NA PRAÇA
21h – Praça da Conceição
Orquestra Harmonia do Frevo

LARGO DE EVENTOS – Palco
22h – Rayneri e Banda
00h – Cavaleiros do Forró Elétrico
02h – Banda Grafith

Quarta | 13 de Fevereiro
CARNAVAL DA RESSACA -Diogo Lopes
15h – Bloco Burro Elétrico | Doce Pecad
17h – Bloco Burro Elétrico | Swing de Galpão.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

TRT-RN REALIZA MAIS DE MIL AUDIÊNCIAS ATÉ SEXTA-FEIRA, 25


TRT-RN retomou nesta segunda-feira (21) as audiências e prazos processuais nas Varas do Trabalho de Natal e do interior, que estavam suspensos após o recesso forense, entre 7 e 18 de janeiro.
Ao todo foram agendadas 271 audiências para esta segunda-feira, sendo 182 audiências nas dez Varas da capital e 89 audiências nas onze do interior.

Até a próxima sexta-feira (25), o TRT-RN realizará mais de mil audiências. Nas varas de Natal serão 685 e nas do interior mais 383 audiências estão agendadas.

A decisão do Tribunal de estender o recesso forense, que geralmente se encerra após o feriado de 6 de janeiro, até a última sexta-feira (18) atendeu a uma solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil-RN e da Associação Norteriograndense dos Advogados Trabalhistas (ANATRA).

LARDJANE TEMPERA PEPINO DEIXADO POR ASSIS DA PADARIA


Com habilidade e capacidade de liderança a prefeita Lardjane Ciriaco(DEM) em Santana do Matos empenhou-se buscando uma solução e que foi aceita pela classe dos servidores do município ao parcelar os salários do mês de Dezembro deixado como herança pelo prefeito Assis da Padaria.
Sindicato, maioria dos professores e a pref. Lardjane em harmonia
Administração pública requer requisitos próprios de opções e decisões. As vezes tais circunstâncias e condições são alheias a boa vontade do gestor. Não pode ser ao bem querer! A teoria sempre contrasta com a realidade, reincidindo sempre em desentendimentos entre os conceitos sindicalistas e o poder público, principalmente quando estão frente a frente para buscar soluções.

Modelos e fórmulas mágicas só na filosofia dos Sindicatos. Administração pública necessita de receitas disponíveis, responsabilidade, renúncias pessoais, capacidade para convergir apoios, decisões e soluções que não levem a escaramuças.

No caso do pepino deixado pela estratégia maquiavélica do gestor anterior em não pagar o funcionalismo público de Santana do Matos, o tiro saiu pela culatra. A solução encontrada, já demonstrou a que veio a prefeita Lardjane.

Com calma, simplicidade, sem trogloditas atiçando, iguais aqueles, tipo, donos do sistema, o problema foi resolvido dentro das condições possíveis que o município pode ressarcir, pagando a dívida em quatro parcelas. Criar fórmulas mágicas para pagar a vista, só se alguém for tomar emprestado a quem tem dinheiro na cueca.

Em um vídeo divulgado onde os professores em assembléia aprovaram as decisões de governo, nada foi acrescentado como argumentos ou contra-argumentos que influenciassem ou retardassem as decisões. Comodismo, isenção de opiniões ou evasivas também não são aplaudidas como conteúdo de pauta para possíveis soluções. É importante no processo democrático que a discussão seja o caminho para o entendimento. Neste caso, a prefeita Lardjane demonstrou serenidade, segurança e predisposição para resolver o problema sem necessitar da mídia como elemento de propaganda.

O caso marcou o funcionalismo do município. Que não sirva de exemplo aos futuros gestores. Não justifica, nem consta em normas e modelos a ser seguido por administradores públicos, deixar de pagar os salários de funcionários de um município por causa de compromissos por obras fora da realidade local, talvez até suspeitas e necessitadas de outras análises.  

sábado, 19 de janeiro de 2013

PERSPECTIVAS DE PROJETOS E AÇÕES NA ÁREA RURAL DE SANTANA DO MATOS


Acompanhava o Coordenador Geral do DNOCS no Rio Grande do Norte, José Eduardo Alves Wanderley (ao centro) nesta sexta-feira, 18, numa visita a prefeita Lardjane por ser o proprietário da terra onde foi perfurado um poço em Residência com evasão significativa e indicada pelo DNOCS para instalação de um DESSALINIZADOR. Esse assunto foi tratado na reunião, além da predisposição do DNOCS em disponibilizar abertura de outros poços, desde que haja uma parceria entre aquele departamento, os proprietários e a contrapartida da prefeitura. 
No caso do Dessalinizador, o projeto estava em andamento desde 2012. O poço foi localizado, perfurado, o mais importante e mais caro o equipamento de dessalinização reservado, duas caixas de 10.000L, sendo a contrapartida da prefeitura construir um quarto medindo 4 x 3m², duas bases cilindras de 50cm para colocação das caixas e instalação elétrica puxada de um poste ao lado do local a ser feito.
 
O projeto teve início em Agosto de 2012. Na fase final, quando tudo estava pronto, só dependendo da parte da prefeitura, o projeto foi abortado pelo prefeito Assis da Padaria, deixando de beneficiar a dezenas de pessoas daquela comunidade. Retomando o processo foi verificado que até o  “Termo de Doação de Área” que fiz para a prefeitura para ser instalado o equipamento, desapareceu, não sendo encontrado pela equipe da nova gestão.

Nesta reunião com a prefeita Lardjane ficou claro as linhas de ações e os novos rumos a serem tomados pelas ações da nova gestão, principalmente na área rural. A prefeita demonstrou interesse e determinou agilidade na retomada e tramitação dos processos para serem analisados e encaminhados à apreciação da área jurídica para possíveis execuções. Saímos da reunião otimistas pelos compromissos assumidos de ambas as partes. Pessoalmente me surpreendi pela objetividade e determinação como encerrou a conversa a prefeita Lardjane. Fazendo referências a datas, deixou claro a importância das ações a serem tomadas. Demonstrou sensibilidade e conhecimento dos benefícios que abrange a população no setor mais carente do nosso povo que é a falta d’água.  

ENTREVISTA ESPECIAL REALIZADA EM 29/03/2012 COM JOÃO ABNER GUIMARÃES JÚNIOR - TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

 
 Transposição do rio São Francisco: ''Onde está o Tribunal de Contas da União? Ninguém se manifesta. Isso é um escândalo''. Entrevista especial com João Abner Guimarães Júnior.
“Com um terço do custo da transposição do rio São Francisco seria possível construir um grande sistema de abastecimento de água para toda a região Nordeste e abastecer todas as casas da região”, constata o engenheiro.


  "É preciso combinar cisternas com abdutores, com chafariz e pensar um modelo de desenvolvimento regional".

Confira a entrevista.



“A transposição do rio São Francisco se transformou em um grande atoleiro e eu não vejo nenhuma perspectiva de ela ser concluída, pois as obras estão praticamente paradaas em vários trechos”, declara João Abner (foto abaixo) à IHU On-Line, na entrevista a seguir concedida por telefone. Engenheiro e filho de sertanejo, o professor conhece de perto a realidade do semiárido brasileiro e lamenta a falta de um projeto de reforma hídrica na região. “Enquanto a obra da transposição do rio São Francisco estiver sendo construída, não será possível discutir um projeto específico e alternativo para o Nordeste”, assinala.

Para ele, a elevação dos custos anunciados pelo governo para permitir a conclusão da obra demonstram que a indústria da seca não tem interesse em concluir a transposição do rio São Frarncisco. E alerta: “Temos que ter o maior cuidado com toda essa discussão que está sendo feita pela mídia, a qual é alimentada pelo próprio lobby da transposição do rio. A quem interessa aumentar em mais de 70% o orçamento da obra?  Essa discussão do aumento surge justamente para esconder a inviabilidade da transposição do rio São Francisco e a fraude técnica deste projeto”. E dispara: “É preciso prestar atenção no discurso dos deputados que estão criticando a transposição do rio neste momento. Veja que eles não criticam a obra em si. Continuam dizendo que a transposição é importante para o Nordeste. Eles criticam o fato de o governo não estar conseguindo viabilizar a obra. Então, quer dizer, na verdade, eles defendem que os recursos da transposição sejam ampliados e acham que a obra não foi concluída por incompetência, porque os projetos foram mal feitos. Eles defendem a ampliação dos recursos financeiros porque defendem o grande lobby das indústrias que mandam neste país”.

Contrário ao projeto de transposição do rio São Francisco, Abner assegura que “nenhum agricultor que, hoje, recebe água do carro-pipa receberá água da transposição desse rio, porque a água vai escoar em grandes rios, vai para as maiores barragens do região e será utilizada pelo agronegócio”.

Doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento, João Abner Guimarães Júnior é professor nos cursos de Engenharia Sanitária e Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sobre a transposição do rio São Francisco, publicou diversos artigos, tais como A transposição do rio São Francisco e o Rio Grande do Norte; O lobby da transposição; e O mito da transposição.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual a atual situação das obras da transposição do rio São Francisco? A obra está parada em alguns trechos? Que avaliação faz deste projeto desde que as obras começaram?

João Abner Guimarães Júnior A transposição do rio São Francisco se transformou em um grande atoleiro e eu não vejo nenhuma perspectiva de ela ser concluída, pois as obras estão praticamente paradas em vários trechos. A parte mais visível das obras, que é o canal da transposição, está concluída, porque as empreiteiras agilizaram esse processo em função do dinheiro que receberam. Ainda falta construir a parte mais importante da obra, a qual dará viabilidade a ela.

Esses canais da transposição têm cerca de 600 quilômetros. Para que eles possam entrar em operação, é preciso abrir, nas suas extremidades, 30 quilômetros de túneis. Existe uma sequência de dois túneis para chegar à Paraíba: um tem cinco quilômetros e o outro tem 15 quilômetros. Para se ter uma ideia, 15 quilômetros é a extensão de um dos maiores túneis da Europa. O maior túnel da América Latina tem seis quilômetros. A construção desses dois túneis pode demorar uma década. O governo fala que é possível, durante a construção, avançar nove metros por dia, em condições normais. Isso quer dizer que a construção de um túnel de 30 quilômetros levará de sete a nove anos para ser concluída. Por enquanto, a obra conseguiu avançar pouco mais de 900 metros em um ano e meio. Em 2010 houve desmoronamento e pessoas morreram. O governo estava escondendo a dimensão dessa obra para facilitar o andamento dela. Nós sabíamos que ela não iria ser concluída com 10 bilhões de reais, como está sendo mostrado agora.

IHU On-Line – A que o senhor atribui o aumento de 77,8% no custo da transposição deste rio? De que outra maneira esses recursos poderiam ser utilizados para garantir a gestão da água no semiárido?
João Abner Guimarães Júnior Antes de tudo, temos que entender qual é a lógica dessa obra. A transposição do rio São Francisco é a reprodução da indústria da seca na maior escala que se possa imaginar. Seu projeto já estava, como uma espécie de vírus, inoculado no Estado brasileiro e foi se replicando, até que o governo Lula o encampou. Na época, havia um discurso de que a obra seria realizada e teria um cunho social. Nós já sabíamos que ela seria feita para atender à indústria da seca e que não teria nenhum compromisso com a economicidade.

Hoje, temos que ter o maior cuidado com toda essa discussão que está sendo feita pela mídia, a qual é alimentada pelo próprio lobby da transposição do rio São Francisco. A quem interessa aumentar em mais de 70% o orçamento da obra? Essa discussão do aumento surge justamente para esconder a inviabilidade da transposição do rio e a fraude técnica deste projeto. É preciso prestar atenção no discurso dos deputados que estão criticando tal transposição nesse momento. Veja que eles não criticam a obra em si. Continuam dizendo que a transposição é importante para o Nordeste. Eles criticam o fato de o governo não estar conseguindo viabilizar a obra. Então, na verdade, eles defendem que os recursos da transposição sejam ampliados e acham que a obra não foi concluída por incompetência, porque os projetos foram mal feitos. Eles defendem a ampliação dos recursos financeiros porque defendem o grande lobby das indústrias que mandam neste país, entre elas, a indústria da seca.

O mal menor seria terminar logo a transposição do rio para mostrar que a obra não tem nada a ver com o desenvolvimento do Nordeste, que não foi feita para acabar com o carro-pipa, que não vai servir para nada. Assim, ao menos ela ficaria exposta como um monumento para denunciar a indústria da seca. O problema é que, enquanto a obra estiver sendo construída, não será possível discutir um projeto específico e alternativo para o Nordeste.

IHU On-Line – A que o senhor se refere quando fala em indústria da seca?
João Abner Guimarães Júnior A indústria da seca é uma espécie de colonialismo que predomina no Nordeste há séculos. Quer dizer, os projetos para distribuir água no Nordeste são pensados fora da região  e têm a intenção de capturar recursos públicos. O Programa de Açudagem do Nordeste mostra isso. As obras pensadas para o Nordeste são descoladas de um plano de desenvolvimento e têm um fim em si mesmas.

A transposição do rio São Francisco segue essa mesma lógica. O governo e as empresas querem construir o maior açude possível no Nordeste e depois pensar o que será possível fazer com ele. Para funcionar, a transposição do rio precisa de mais investimento. Além disso, durante o período em que a obra ficou parada, os canais construídos se arrebentaram e terão de ser refeitos. Portanto, essa é a estratégia das elites do Norteste: criam um projeto de desenvolvimento para se apropriarem de recursos públicos.

Transposição para subsidiar a agricultura
Mas a transposição também tem outra conotação. Atualmente o Nordeste consegue armazenar 35 bilhões de metros cúbicos de água em grandes açudes. O problema é que grande parte dessas águas não consegue ser apropriada, porque não existem condições econômicas para utilizá-la, pois o mercado é globalizado e não há condições de competir com ele.

O Ceará está fazendo hoje uma experiência de apropriação da água, porque a irrigação está sendo subsidiada fortemente pelo setor urbano do estado. Por enquanto, esse modelo está sendo testado em escala menor. O grande perigo que tem por trás da transposição do rio São Francisco é o fato de ela ser usada, mais tarde, para justificar a criação desse modelo implantado no Ceará em escala regional. Quer dizer, as águas, que hoje são pouco utilizadas nesses açudes poderão ser utilizadas para a irrigação, apesar de serem subsidiadas pelo setor urbano. O preço desse subsídio é o preço da segurança hídrica. Quer dizer, o setor urbano vai bancar a água da irrigação, mas não a água da transposição.

IHU On-Line – Segundo notícias da imprensa, o custo da água a ser fornecida pelo projeto da transposição do rio São Francisco foi estimado em R$ 0,15 o metro cúbico e custará mais do que em outras regiões do país. O que esse valor representa?
João Abner Guimarães Júnior Comparando com o preço da água utilizada para o consumo humano, pode-se dizer que esse valor é baixo, porque nós trabalhamos com valores de três ou quatro reais por metro cúbico. É por isso que está se vinculando a notícia de que a transposição do rio São Francisco é necessária para atender ao abastecimento humano. O governo diz que 12 milhões de pessoas serão beneficiadas com a transposição, mas, na verdade, essa informação é falsa. Onde estão essas pessoas? A maioria delas mora no litoral e nas regiões metropolitanas. Então, essa água não vai chegar a essas pessoas. Na verdade, 12 milhões de pessoas pagarão pela água oriunda da transposição do rio São Francisco. Essa é a grande questão. Quer dizer, informa-se que a transposição vai ser paga pelo consumidor urbano das grandes cidades, só que a água oriunda da transposição não será utilizada pelo setor urbano; ela será incorporada às águas dos açudes, que serão utilizados intensivamente para a irrigação. Portanto, o subsídio que está sendo pago para a transposição do rio São Francisco subsidiará a produção agrícola com irrigação em larga escala.

Exportação de água
O Rio Grande do Norte exporta água para Europa via melão, via camarão. O Ceará se transformou também em um grande exportador de frutas a partir do momento em que o governo do estado começou a entregar água de graça para os produtores daquela região. Então, esse é o grande projeto para o Nordeste: exportar as águas do rio São Francisco via o litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará. E aí eu pergunto: Como os agricultores do Vale do São Francisco, que não terão acesso a esse subsídio, irão concorrer com os produtores do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba? Portanto, além de se apropriarem da obra em si, as elites irão se apropriar da água.

IHU On-Line – Quando o governo autorizou a transposição do rio São Francisco, o projeto já previa que a água seria utilizada para o consumo industrial e para a agricultura, ou falava-se apenas que seria destinada ao consumo humano? O governo está mudando o discurso em relação aos benefícios da transposição para justificar a obra?
João Abner Guimarães Júnior Existem dois discursos: de que a água seria usada para consumo humano e para uso econômico. Mas a primeira fraude diz respeito ao beneficiamento de 12 milhões de pessoas. Nós fizemos um levantamento das populações que possivelmente serão atendidas pelos sistemas adutores, que captam a água das bacias que receberão a água da transposição do rio São Francisco, e contabilizamos três milhões de pessoas. A outra mentira é que essa água não irá perenizar rios secos. Essa água só será despejada na cabeceira dos dois maiores rios do Nordeste, ou seja, será despejada fora do rio São Francisco e do Parnaíba, que é onde se concentram 70% das reservas típicas da região.

Então, essa história de associar a transposição com a seca é a maior fraude que existe. Nenhum agricultor que hoje recebe água do carro-pipa receberá água da transposição do rio São Francisco, porque a água vai escoar em grandes rios, vai para as maiores barragens do Nordeste e será utilizada pelo agronegócio. Sempre foi esse o projeto, só que na época da discussão da transposição o comitê proibiu a utilização da água da bacia do rio São Francisco para uso econômico. A partir daí, o governo usou a estratégia de associar esse projeto ao consumo humano. Mas, na verdade, a água da transposição será utilizada para consumo industrial (na região litoral e metropolitana) e para consumo agrícola.

IHU On-Line – É possível estimar qual será o custo da manutenção das obras após a transposição?
João Abner Guimarães Júnior O custo será de 100 milhões de reais por ano. Quer dizer, estão previstos 100 milhões. Mas, da mesma forma que a obra da transposição foi orçada em 2 bilhões de reais, depois o orçamento mudou para 4 bilhões e, mais tarde, para 10 bilhões, não há como saber qual será o custo final da manutenção.

É prematuro falarmos disso agora, considerando que a obra será finalizada daqui algumas décadas. Neste momento, temos que retomar a luta e a resistência, porque nós temos um projeto alternativo para o Nordeste. A minha preocupação é que a transposição se transforme em um grande atoleiro e paralise todas as ações do governo federal na região. Devemos evitar esse debate sobre a conclusão da obra, porque ele fortalece a indústria da seca, no sentido de que o que eles realmente querem é aumentar o custo desse empreendimento.

Está provado que a transposição do rio São Francisco é uma obra que não serve para o Nordeste. Quer dizer, tudo o que se falou anteriormente está sendo comprovado na prática. A indústria da seca não tem interesse que essa obra seja concluída, porque, quando ela for concluída, a indústria da seca será desmascarada.

IHU On-Line – Como vê a proposta do governo de investir na construção de novas hidrelétricas em áreas florestais? Qual o impacto desses empreendimentos para os rios?

João Abner Guimarães Júnior Esse é outro problema e, nesse sentido, o governo Lula foi um grande facilitador desses empreendimentos. O que aconteceu na prática foi uma desmobilização dos movimentos sociais. Percebemos isso no Vale do São Francisco: enquanto havia oposição nos estados da Bahia, Sergipe e Minas Gerais, havia resistência. Então, trata-se de um problema político. Todos os projetos que estavam na gaveta se fortaleceram. Portanto, a lógica da transposição do rio São Francisco e da hidrelétrica de Belo Monte é mesma.

Se formos fazer uma comparação entre o aproveitamento do projeto hidrelétrico dos rios Xingu e São Francisco, perceberemos que os projetos são inviáveis, porque a barragem do primeiro funciona como uma caixa de passagem para outro, ou seja, produz energia proporcional ao fluxo da água do São Francisco. Então, quando a vazão do rio está baixa, a produção de energia é baixa, e quando a vazão do rio é alta, a produção de energia é alta. Como o rio São Francisco tem oscilações de vazões, foi a hidrelétrica de Sobradinho que assegurou vazões próximas da média. Ela é o grande pulmão do rio.

Barragens: pulmões de grandes hidrelétricas
Então, o projeto de aproveitamento do rio Xingu é um complexo de grandes barragens que terá como função regularizar a sua vazão, porque ele oscila mais do que o rio São Francisco. Portanto, o projeto do Xingu implica na construção de grandes barragens, que atingirão as áreas indígenas. Está cada vez mais difícil viabilizar a construção dessas barragens. Por isso o governo Lula decidiu construir Belo Monte. Quer dizer, construirão uma hidrelétrica caríssima e que irá produzir energia durante três ou quatro meses ao ano. Quando a usina estiver pronta e o governo descobrir que ela é inviável – porque energia não se acumula –, haverá uma pressão para construir grandes lagos, os quais servirão de pulmão para regularizar o funcionamento de Belo Monte. O mesmo acontece com a transposição do rio São Francisco. Se a obra ficar pronta, verão que ela não irá servir para nada e buscarão alternativas para fazer novas transposições. Primeiramente, fazem a obra e depois decidem o que farão com ela. Quer dizer, não existe compromisso. A marca desses projetos do PT é a falta de compromisso com a economicidade e a racionalidade.

IHU On-Line – No início do ano houve uma polêmica em torno das cisternas porque o governo federal queria substituir aquelas feitas de placa por outras feitas de plástico. Como vê essa questão e qual a importância das cisternas no semiárido?
João Abner Guimarães Júnior Essa é outra contradição. Enxergar a cisterna apenas como um reservatório de água é um absurdo, porque ela é um elemento que faz parte de um processo de mobilização social. Hoje, é um desafio manter um homem ou uma família no semiárido; não é possível conviver em um ambiente sem acesso à internet, energia e água.

Temos que pensar a questão do semiárido além das cisternas. Precisamos pensar um programa de desenvolvimento sustentável de reforma hídrica no Nordeste. É um absurdo, em pleno século XXI, o fato de muitas comunidades serem abastecidas com carro-pipa. Esse é o sistema mais caro de abastecimento de água. O custo da água é de 20 reais o metro cúbico. Com um abdutor, mesmo numa distância de 50 quilômetros, é possível entregar água com um custo de um real. O grande problema do Nordeste é a distribuição da água, pois, com a quantidade de açudes que existem, seria possível criar uma grande rede de abastecimento de água.

Com um terço do custo da transposição do rio São Francisco seria possível construir um grande sistema de abastecimento de água para atender a todo o Nordeste e abastecer todas as casas da região. A cisterna em si tem seus limites: é um equipamento ótimo para épocas de chuvas. Mas, na época de seca, a cisterna serve de reservatório para receber água dos carros-pipas. Então, é preciso combinar cisternas cisternas com abdutores, com chafariz e pensar um modelo de desenvolvimento regional. É claro que, com a transposição do rio São Francisco, jamais esse programa será feito.

IHU On-Line – Qual sua expectativa quanto à questão da sustentabilidade dos recursos hídricos ser abordada na Rio+20?
João Abner Guimarães Júnior Talvez o governo irá levar o debate da transposição do rio São Francisco para a Rio+20. O grande desafio é descontaminar o debate dos interesses da indústria da seca. Nós tínhamos que ocupar o espaço desta Conferência para discutir um projeto de reforma hídrica, e para denunciar a transposição deste rio na grande mídia nacional. A imprensa se omitiu e em momento algum ofereceu espaço para quem quisesse questionar a inviabilidade técnica desta obra. O único momento em que essa questão apareceu foi na ocasião da greve de D. Luís Flávio Cappio. Todas as matérias que criticam a transposição do rio demonstram, de outro lado, que a obra é importante para o Nordeste porque 12 milhões de pessoas serão beneficiadas com o empreendimento. Isso é uma grande fraude. Como denunciá-la se não há espaço?

IHU On-Line – Não existe a possibilidade de debater...
João Abner Guimarães Júnior O debate não existe porque se trata de dois projetos: o projeto real e o projeto imaginário. Quando participo dos debates, uns defendem o projeto imaginário e outros, embora critiquem o projeto real, são favoráveis à transposição. Eu sou engenheiro, mas, quando falo sobre essa temática do semiárido, não falo como engenheiro e, sim, como um filho de sertanejo que teve a oportunidade de estudar. O que prevalece na minha análise é a minha memória, a experiência de ver que ainda existem pessoas que vivem com dificuldades no sertão.

A grande questão é como o governo federal poderá desenvolver um projeto de desenvolvimento para o Nordeste que esteja descolado do interesse dos grandes lobbys que contaminam o Estado. Fico preocupado quando vejo pessoas que eram referência nesse debate e que hoje apoiam o outro lado. Quando vejo o discurso de Tânia Bacelar, de Otamar de Carvalho, fico angustiado. Eles criticavam esse modelo de desenvolvimento do Nordeste e hoje estão, no mínimo, omissos nesse processo. Tenho a esperança de que Dilma perceba o “atoleiro” em que o governo se meteu quando comprou o projeto da transposição do rio São Francisco. O governo não tem como, por si só, enfrentar o lobby da indústria da seca. Somente com a participação da população é possível enfrentar essa questão.

Fico impressionado ao ver como o lobby conseguiu influenciar as campanhas eleitorais regionais. No meu estado (Rio Grande do Norte), todos os políticos estão a favor das empreiteiras. Não tem ninguém com quem você possa dialogar para mudar essa situação.

Oportunidades

Os temas que serão debatidos na Rio+20 terão repercussão mundial. Na época da greve de fome de D. Cappio, acompanhei a repercussão das notícias internacionais sobre a transposição do rio São Francisco. Li matérias na França, na Espanha e nos EUA, que tinham uma visão mais crítica do que as publicadas no Brasil. Elas abordavam todos os pontos do projeto e mostravam suas fraudes e o cunho político que está por trás da obra. Aí eu pergunto: por que a grande mídia não incorporou essa crítica também?

Com a Rio+20, essas questões poderão ser discutidas novamente. A transposição do rio São Francisco é uma grande mentira a ser exibida como verdade e serviu para decidir uma campanha política para a presidência da República.

IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algo?
João Abner Guimarães Júnior O mérito da obra de transposição do rio São Francisco ainda não foi julgado no Supremo Tribunal Federal – STF. Todos os novos ministros do STF passaram a ser relatores no sentido de evitar que o processo seja julgado. Se o processo ainda não foi julgado, quer dizer que o governo não tem argumentos para se contrapor às denúncias.

As principais denúncias que constam no processo contra a transposição dizem respeito à fraude do projeto, à manipulação de dados feita à época do licenciamento hídrico. Esperávamos que o projeto fosse barrado durante o licenciamento hídrico, porque a Agência Nacional de Águas – ANA não poderia desconhecer os números que existiam. O plano de recursos hídricos do Ceará, por exemplo, mostrava um quadro de superabundância de água no estado e este era um argumento forte para evitar a transposição.

Fraude
Para barrar a obra, bastava a ANA consultar os planos do Ceará e do Rio Grande do Norte e averiguar que não era necessária essa construção. No entanto, a Agência encaminhou um ofício aos governadores, solicitando que atestassem a real necessidade da água para seus estados. Fizeram um balanço hídrico nos estados por decreto. Isso é um absurdo. Todo mundo engoliu esse projeto e rasgamos toda a teoria de recursos hídricos.

Essa fraude foi denunciada no Ministério Público Federal – MPF e foi encaminhada para o STF, mas nunca foi analisada; está aguardando julgamento. A transposição do rio São Francisco só aconteceu porque houve um conluio em que muita gente se beneficiou direta ou indiretamente. Agora querem ampliar o custo da obra para 8 bilhões. Onde está o Tribunal de Contas da União? Ninguém se manifesta. Isso é um escândalo. Por que os movimentos sociais não vão para a rua? Por que não denunciam? Nunca na história desse país passamos por um nível de corrupção desse tipo.
F: ihu.unisinos.br/entrevistas

 



DE OLHOS FECHADOS DILMA CANCELA ENVIO DE R$ 45 MILHÕES PARA A SAÚDE DO RN


O Ministério da Saúde suspendeu o repasse de quase R$ 45 milhões para ampliar UTIS e SAMU, assim como construir UPAs no Rio Grande do Norte. A decisão do MS foi tomada depois que técnicos visitaram RN e verificaram que o Plano de Ação da Rede de Atenção às Urgências não estava sendo seguido como planejado

Dos R$ 45 milhões, mais de R$ 30 milhões eram destinados para Natal. Neste caso, mais de R$ 20 milhões foram perdidos devido a incompetência da Prefeitura de Natal. O restante foi perdido devido a incompetência do Governo do Estado, que não seguiu corretamente o Plano de Ação de Atenção às Urgências.

Isso significa que as restrições feitas ao Rio Grande do Norte passam ser evidências de retaliação de governo. Uma prática condenável, mesquinha que penaliza o povo do Rio Grande do Norte. Certamente na concepção do sistema autoritário e corrupto que governa não deve existir nenhum Estado da Federação governado pelo Democratas (DEM). O povo não aprova essas medidas e a Justiça acompanha a realidade da política brasileira.

TRT-RN RETOMA AUDIÊNCIAS E PRAZOS NESTA SEGUNDA (21)


As dez Varas do Trabalho de Natal e as onze do interior do estado retomam as audiências e os prazos judiciais a partir desta segunda-feira.

O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) suspendeu os atos processuais e os prazos judiciais nas Varas após o recesso forense, entre 7 e 18 de janeiro.

Essa decisão do TRT-RN atendeu a uma solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil-RN e da Associação Norteriograndense dos Advogados Trabalhistas (ANATRA).

Na prática, por se tornar de uma sexta-feira (18), esse prazo se estendeu até o dia 20.Todas as audiências, inicialmente agendadas para esse período, foram remarcadas.
AssCom