Em crise, campanha de Dilma vive seu pior momento
A duas semanas da eleição, o QG de Dilma Rousseff atravessa seu pior momento.
A sintonia que permeava as relações de Lula com o comando da campanha trincou.
As críticas ao estilo centralizador dos operadores do QG espraiaram-se pela coligação.
A submissão da candidata à agenda religiosa deixou indignado um pedaço do PT.
Fraturas expostas debilitam a campanha em praças tão estratégicas como Minas.
Tudo isso contra um pano de fundo ornado por pesquisas internas inquietantes.
Detectou-se avanço do rival José Serra nos maiores bolsões de votos do Sudeste.
As sondagens indicam que Serra avança em São Paulo, em Minas e no Rio.
Nos dois primeiros Estados, atribui-se o fenômeno ao embalo do primeiro turno
Serra seria beneficiário do êxito de Geraldo Alckmin e do grupo de Aécio Neves.
No Rio, o tucano estaria herdando nacos expressivos do eleitorado de Marina Silva.
Teme-se, de resto, que a abstenção sugue parte dos votos de Dilma no Nordeste.
Em privado, Lula critica o marqueteiro João Santana, que antes endeusava.
Diz que a propaganda televisiva padece de ausência de “povo” e falta de “emoção”.
Nos subterrâneos, atribui-se o formato atual da publicidade –prenhe de comparações entre a era tucana e a fase petista— mais a Lula que a Santana.
Viria do presidente a inspiração para o reforço do tom “plebiscitário”, com especial ênfase às privatizações feitas sob FHC.

Ali, o PT se rói em desavenças entre as alas de Fernando Pimentel e Patrus Ananias. E o PMDB de Hélio Costa, esmagado por Aécio, já não quebra lanças por Dilma.
Na prátrica, a campanha de Dilma demora-se em sacudir a poeira do primeiro turno. Lula não frequenta a cena apenas no papel de crítico. É criticado.
Atacam-no pelas costas. Atribui-se ao cabo eleitoral de Dilma parte da culpa pelos problemas que levaram a eleição ao segundo turno.
Afora o ‘Erenicegate’ e a sublevação das igrejas, a escalada retórica de Lula contra a mídia teria feito o eleitor de classe média a olhar de esguelha para Dilma.
Numa tentativa de reverter o quadro, planeja-se tonificar a campanha no Sudeste.

Pelo PT, José Eduardo Dutra e Alexandre Padilha rearticulam os prefeitos mineiros. Pelo PMDB, o vice de Dilma, Michel Temer, tenta reenergizar o seu partido.
Dutra e Padilha passaram por Belo Horizonte nesta quinta (14). Temer desembarca na cidade nesta sexta (15).
Lula avocou para si a tarefa de soldar a votação de Dilma no Nordeste, um pedaço do mapa em que sua popularidade é maior do que a média nacional.
Contra a abstenção, planeja-se injetar na propaganda de rádio e TV mensagens dirigidas ao eleitor de baixa renda e de escolaridade exígua.
Danilo Verpa/Folha

Noutra praça convertida em prioridade tucana, o Rio Grande do Sul, o PMDB de Temer aderiu, em sua maioria, a Serra.
Pela primeira vez desde o início oficial da campanha, há quatro meses, Lula e os operadores de Dilma parecem realmente preocupados com o adversário.
Escrito por Josias de Souza
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